Um retrato de Ray Bradbury

Em 22 de agosto de 1920, exatamente um século atrás, nascia Ray Bradbury, autor estadunidense mais conhecido pelo seu aclamado e ligeiro livro de ficção científica, Fahrenheit 451. O protagonista do livro, Guy Montag, é um bombeiro do futuro atormentado pelo caráter bárbaro de uma de suas principais funções e obrigações como bombeiro: queimar livros! No universo distópico de Fahrenheit 451, livros são proibidos e aqueles que insistem em tê-los ou disseminar seus conhecimentos são severamente punidos pelas engrenagens de um governo totalitário.

Na ilustração, optei por trazer estes elementos em intenso destaque: o retrato simples feito à lápis, bem claro contra um fundo escuro com textura de papel queimado. E a chama do conhecimento, da sabedoria, da arte e da escrita, brilhando na altura da cabeça do retratado.

Retrato de Ray Bradbury por Pedro Balduino, agosto de 2020.

O título do livro tem esta curiosidade que eu sempre achei muito gostosa: remete à temperatura mínima necessária (em graus na escala fahrenheit) para se queimar papel. O próprio autor já se manifestou algumas vezes sobre como a história foi pensada para ser um “alerta” sobre a alienação promovida pela tecnologia da televisão doméstica, mas ainda é muito forte a maneira que a obra é vista como uma forte crítica a regimes totalitários e uma perspectiva sobre como o fascismo e a violência têm medo do conhecimento e da sensibilidade. Esta amplitude de possibilidades interpretativas (que, inclusive, se manifestou de maneiras diversas nas suas adaptações cinematográficas) é, a meu ver, um dos pontos chaves para se perceber o brilhantismo da obra.


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