Uma viagem e cinco livros

Quando soube que existiria a chance de dar um pulo no Rio de Janeiro agora no mês de outubro, meu juízo entrou numa espiral de contentamento e dúvida. A proposta envolvia pegar um carro com alguns familiares e cruzar o Brasil no meio de uma pandemia. Agora, depois da aventura, posso dizer com um recente distanciamento que foi uma loucura das maiores. Não façam, se puderem. Não é a primeira vez que faço esse percurso de carro, pegando três dias de estrada mas é a primeira vez que o fiz com o cu na mão, um temor enorme e fazendo de tudo para ser cuidadoso. A estrada é sempre muito bonita, mas desta vez foi mais tensa.

Fusquinha bonito com montanhas em Minas Gerais.

A questão é que toda essa pegação de estrada tem a ver com uma coisa que minha mãe me disse dia desses: que eu, assim como ela, não crio limo, feito uma Pedra que não cria lodo por não ficar parado num canto por muito tempo. É meio isso mesmo. E confesso que o isolamento dos últimos sete meses deixou uma forte sensação de que não haveria muito futuro para todo mundo (imagina para quem faz Arte) e eu estava convicto de que não se mexer seria muito pior.

Como toda energia que é acumulada para ser utilizada posteriormente, a criatividade é uma bomba. E explodiu no meu colo no meio dessa movimentação toda em forma de literatura. Mais especificamente, na forma de cinco projetos literários. Explico:

Quem me acompanha nas redes sociais deve ter percebido que o mês de setembro foi todo dedicado à pré-venda do meu primeiro livro 100% independente. Havia uma mancha de Vermelho-Sangrento foi uma pequena tiragem que diagramei e publiquei sem editora, por mim mesmo (com o apoio de vários colegas e amigos, claro). Foi um sucesso, as vendas no mês de setembro bombaram e recebi um bom punhado de ótimos elogios e críticas sobre a qualidade técnica e artística do material. Trabalhar neste livro durante seis meses foi o que me manteve acordado durante o estagnante isolamento e sinto que venci essa batalha.

Também foi em setembro que começou a campanha de financiamento coletivo do livro Mimi e o Medo da Vanessa Paulo, ilustrado pelo Monge e que eu tive a honra de ser o editor. É o primeiro projeto infantil que eu assino a edição e a campanha está um sucesso, falta muito pouco para bater a meta lá no Catarse. Clique aqui para conhecer mais do projeto e apoiá-lo.

Durante o período da pré-venda de Vermelho e da Mimi, surgiu uma oportunidade única de lançar um trabalho numa seletiva de uma editora grande. Recebi a dica de uma amiga ilustradora e parti na pesquisa e desenvolvimento de um trabalho original para esta seleção com uma ideia audaciosa envolvendo quadrinhos e cinema. No entanto, assim que comecei a adaptar e elaborar a boneca deste projeto (que vou manter secreto por mais algum tempo), percebi que era um trabalho muito maior do que eu estava preparado, principalmente se eu tivesse que desenhar todas as páginas durante a pré-venda do Vermelho e da Mimi. Adiei.

E viajei.

Pedacinho de estrada gracioso na Bahia.

Agora estou aqui em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, mais perto da minha mãe. Era uma das últimas coisas que eu imaginei que poderiam acontecer comigo neste ano de 2020. Mas sabe outra coisa que aconteceu e que eu também não esperava? Uma ligação (nas vésperas da viagem) do meu editor, o Sandro Fortunato, da Fortunella Casa Editrice, dizendo algo mais ou menos assim:

Olha, eu tive essa ideia e ela é muito boa. Serão uns vinte escritores numa antologia e quero que você crie uma história de 8 a 12 páginas, com ilustrações, para este livro que pretendo lançar já em janeiro. Então tem que estar tudo pronto agora em novembro já. E a campanha de marketing já começa no final deste mês. Topa?

Sandro Fortunato

Topei. Por que eu sou maluco!


Bem, eu meio que prometi no título desta postagem que eu ia falar de cinco livros, confere? 1) o livro que tomou meus seis meses de isolamento, da diagramação à publicação: Havia Uma Mancha de Vermelho-Sangrento, que vendeu bem e foi um sucesso. 2) O Livro da Mimi, minha primeira empreitada como editor de um título infantil, 3) o Livro Secreto que surgiu a partir de uma proposta de uma seletiva de uma editora grande que publica Arte e Terror. Este vou manter em segredo e revelar apenas para os assinantes do Catarse. 4) o Novo Livro da Editora Fortunella que já vai ser lançado daqui a dois meses e eu já tenho que ter uma história pronta nas próximas semanas. Este também é segredo, mas só por mais alguns dias. A campanha de marketing começa já e garanto que é coisa BOA!

O quinto projeto literário é uma proposta mais pessoal e que envolve uma história que comecei a escrever em 2016, quando morava em Minas Gerais e fazia o trajeto Duque de Caxias/Belo Horizonte pelo menos uma vez por mês. Este, ao contrário de todos os outros, é o menos ilustrado e se propõe a ser minha primeira investida séria em escrever um romance em prosa. Estrada para a Gruta do Jacob é um suspense que se passa em uma pequena vila na cidade de Petrópolis/RJ e conta uma série de acontecimentos bizarros que acontecem por lá. Boa parte do livro já está pronta e os capítulos vão ser liberados semanalmente para os assinantes do Catarse a partir de novembro. A minha única insistência em concluir esta história agora, assim, no meio de vários outros projetos, é a proximidade com as localizações reais onde a história se passa. Nas próximas semanas estarei visitando esses lugares ermos e fazendo fotografias de florestas estranhas para arrematar de vez este mistério que me corrói já tem quatro anos.


Como eu disse, a criatividade é uma bomba que ao menor sinal de movimento explode nas suas mãos em forma de quatro projetos ao mesmo tempo, no meio de uma viagem confusa. O que fazer com o incêndio que sucede o pipoco é algo que a gente nunca sabe ao certo. Mas tenho certeza que vou descobrir nos próximos dias e semanas. E aí eu conto procês.

A casa onde passarei os próximos meses isolado, tornando realidade todos estes projetos.
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